Nãoexisteosónuncaexistiununcaexistiráosósóissosóaquilo.Nãominta,
nãodestruaosónãomastiguenãoinventenãodigaqueeleexiste.Nãoexiste
osó,nuncaexistiu,nuncaexistiráosó.

Da Conversa Sobre o Existir

Sei q vivendo assim
não vou me adaptar ao sistema anti-ilusão vigente
mas nunca vou mudar
no fundo
eu sempre vou ter em meus olhos câmeras
em minhas mãos
cores
e em meu rosto
maquiagem de palhaço

Hoje, pela madrugada.

"Não existe nenhum pé de vivente"
Cansei de falar de ruas vazias à noite.
Meus cenários agora são todos cheios de luz. Luz dos postes, dos laseres, dos refletores.
A pequena luz de dois olhos escuros enxergando meu sangue correr dentro da pele e me dizendo frivolidades aos ouvidos, por um momento de realidade boa em meio a tanta tentativa frustrada de encontrar a diferença dentro da monotonia dos dias...

Carregador de Água

E eu que achei que ele falava comigo, descobri sua ascendência e a triste verdade>
Ele falava com alguém atrás de mim que só ele podia ver.

Do chão

Ela falou que a essência de alguém está nos dedos dos pés.
Os dedos dos meus pés são meio tortos. As unhas do dedão foram machucadas em uma trilha que fiz ano passado.
Ela concluiu que minha essência era forte, porém muito sofrida.

Para Mim.

- Seus olhos são tão vermelhos.
- É que sou albino - disse ele em resposta ao meu comentário inapropriadamente colocado.
- Deve ser estranho não poder andar ao Sol.
- Não gosto do Sol. É a Lua que me chama.

Houve silêncio.

Depois de dias vim entender sua rispidez. Porque tenho mania de querer entender tudo que as pessoas fazem.
Sua única razão era gostar muito de mim.

Titaminossauro

Era, com absoluta certeza, um Titaminossauro.
Tinha belas asas brancas, louras, peludas, lindas. Voava suavemente sobre as plantas.
Ah eu poderia olhá-lo por dias sem ficar entediado um só momento.
Seus olhos transmitiam pra mim a batida de 35 músicas. Me perturbavam.
Raridade maior não havia.
Era um Titaminossauro, pairando sobre minha cabeça frágil.
Bichos como aqueles só podem trazer amor.

Petter

Leram minha realidade. Não precisavam.
Calúnias de utópicos romances inexistentes por nomes
variados pelo idioma que se confundi. Esta é a pronúncia correta.
NÃO!
Senti-me exposto. Senti meu sangue correr por fora das minhas veias como se a pele fosse encharcar. Senti verdadeira falta de ar. Senti. Senti muito. É sempre um suicídio para mim.
Eu falei.
Não deveria.
Que será de mim agora.
NÃO!
Desnudo. No mar de epilépticos voláteis de idéas vagas sobre o que sou eu.
Eu, a própria indecisão decidida, a contradição correta.
Eu falei a verdade. Expulsei de mim o que havia de mais secreto.
NÃO!
Mas não tenho mais medo.
Vento frio no rosto aveludado e rosado de minhas pétalas novas.
Arrancada do pé, sem destino, caio na correnteza de um rio único, onde for alguma tem chegado.
A água é gelada, a cor é bonita, mas não há ninguém.
Eu era uma flor que ficava no galho mais alto da árvore, de onde podia observar todas as outras e, para mim, aquela era a maior diversão e inspiração. Mas eu não precisava delas.
Nunca soube porque as outras flores se divertiam de forma tão banal e efêmera, mas eu sempre quis mais.
Agora o rio... a correnteza...
me leva para longe desse mundinho de flores azedas.
Entrego meu corpo.
Despetalo-me.
O Alabama era seu único destino.
Não exitia ninguém aqui mesmo que pudesse captar todos os seus sentimentos.
Não havia forma alguma de entendimento.
Foi para o Alabama.

Nublado

Mesmo olhando de perto era tudo vazio.
Eram apenas ameaças.
O fio de pluma que ia ao chão e sugeria o toque e que,
voltava para a suspensão.
Precisava descer do céu algo que o preenchesse.
Chuva, oh chuva, não o mate de forma tão cruel, tão lentamente...